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Carta de Amor

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Sol da minha vida,
Sinfonia tocando em adágio,
Luar refletido no rio,
Apenas em ti ensejo guarida.

 

Teus olhos ternos e penetrantes,
Sinalizando vivências penosas,
Imploram-me beijos constantes,
Encher-te de carícias afetuosas.

 

Em nenhum outro momento,
Desta forma me senti.
Querendo dar todo o meu alento
A um amor que, de tão pleno, me perdi.
Perdi-me pelo teu cabelo ao vento,
Pelo teu maneirismo atento,
Por aquilo que ainda não vivi.

 

O teu toque é seda pura.
O teu carinho uma rosa aberta.
O estender dos meus braços perdura,
Pois o meu amor em ti se acerta
E em ti se encerra, todo imbuído de frescura.
É um amor sublime e apurado,
Sempre digno e nunca um enfado.
Amor soberbo e imortal,
Como aquele de idílica literatura.

 

Amo-te meu amor eterno,
Alma gémea e esvoaçante.
A ti te amarei em duro inverno.
Em mim encontrarás devota amante.

 

O meu coração é teu para guardar.
Dou-to em sinal de confiança,
Pois nunca pararei de te amar,
Somos uma carne, infindável aliança.

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Dois corações

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Oscilações viscerais,
Dois corações tais
Que batem iguais.

Na calçada o pintassilgo dança.
Daqui a pouco chora a criança,
E aqui arcamos a temperança.

Observas-me em jeito vivaz
Com os teus olhos de amêndoa sagaz,
Reluzindo, plenos de esperança.

E batem iguais
Dois corações tais,
Oscilações viscerais,
Aguardando a bonança.

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A tepidez do tempo e do espírito

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E o tempo insiste na tepidez, à semelhança das minhas deambulações platónicas. A natureza teima em espelhar a minha alma morna, fatigada com as flutuações sazonais típicas de um coração combalido. Nada a fazer!

Resta-me a agridoce cingência ao inevitável de que nem todos vivem para apreciar a naturalidade do amor. Nem todos morrem realizados com a sua plenitude sentimental. Tais variações matemáticas fazem parte da vida, pois nascemos num mundo de possibilidades infinitas.

Muitos me pintam como uma condessa vitoriana, vestida de renda e corpetes de cetim, proveniente de áureas terras, o que outrora até constituiu um axioma análogo. Todavia, esses dias pereceram, bem como a minha expressão fulgurosa de esperança que tanto pincelava afincadamente os meus olhos cor-de-cinza. Nada a fazer! A inconstância vital resume-se num autêntico paradoxo, tendo em conta a sua contínua subsistência.

Hoje desenho sorrisos em parcos, embora magníficos, momentos genuínos, apesar dos meus músculos faciais se apresentarem pouco acostumados a esse afortunado exercício. “Tento”, afirmo para mim própria, e aguardo que tal devaneio seja mais do que isso e se transmute num deleite efectivo. Afinal, se há algo que esta efémera caminhada mundana nos ensina, é que devemos avivar o espírito de forma a que este resplandeça em sítios onde a bruma adquire o seu cabalismo.

Pippa S.*