Carta de Amor

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Sol da minha vida,
Sinfonia tocando em adágio,
Luar refletido no rio,
Apenas em ti ensejo guarida.

 

Teus olhos ternos e penetrantes,
Sinalizando vivências penosas,
Imploram-me beijos constantes,
Encher-te de carícias afetuosas.

 

Em nenhum outro momento,
Desta forma me senti.
Querendo dar todo o meu alento
A um amor que, de tão pleno, me perdi.
Perdi-me pelo teu cabelo ao vento,
Pelo teu maneirismo atento,
Por aquilo que ainda não vivi.

 

O teu toque é seda pura.
O teu carinho uma rosa aberta.
O estender dos meus braços perdura,
Pois o meu amor em ti se acerta
E em ti se encerra, todo imbuído de frescura.
É um amor sublime e apurado,
Sempre digno e nunca um enfado.
Amor soberbo e imortal,
Como aquele de idílica literatura.

 

Amo-te meu amor eterno,
Alma gémea e esvoaçante.
A ti te amarei em duro inverno.
Em mim encontrarás devota amante.

 

O meu coração é teu para guardar.
Dou-to em sinal de confiança,
Pois nunca pararei de te amar,
Somos uma carne, infindável aliança.

O Intemerato Remédio

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“Apenas escreves sobre ti”, constatam determinadas vozes atentas. De facto, encontro-me no meu aprazível nicho quando os meus dedos decidem tomar uma alma contrastiva para aliviar aquela ferroada resultante de um qualquer impulso interior.

Este ímpeto deve-se, geralmente, a certa dor intrínseca que pousa em mim naquele particular dia. E depressa me entrego a um perscrutar incisivo de folhas de papel ou do teclado do meu computador.

Palavra a palavra, frase a frase, um fragmento da minha alma ali reside imortalizado. Constituindo um autêntico despeitorar do espírito.

Olvidem a psicanálise!  Confortem-se, antes, neste intemerato remédio!

Pippa S*