Sonhos de Liberdade

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E o tempo insiste na tepidez, à semelhança das minhas deambulações platónicas. A natureza teima em espelhar a minha alma morna, fatigada com as flutuações sazonais típicas de um coração combalido. Nada a fazer!

Resta-me a agridoce cingência ao inevitável de que nem todos vivem para apreciar a naturalidade do amor. Nem todos morrem realizados com a sua plenitude sentimental. Tais variações matemáticas fazem parte da vida, pois nascemos num mundo de possibilidades infinitas.

Muitos me pintam como uma condessa vitoriana, vestida de renda e corpetes de cetim, proveniente de áureas terras, o que outrora até constituiu um axioma análogo. Todavia, esses dias pereceram, bem como a minha expressão fulgurosa de esperança que tanto pincelava afincadamente os meus olhos cor-de-cinza. Nada a fazer! A inconstância vital resume-se num autêntico paradoxo, tendo em conta a sua contínua subsistência.

Hoje desenho sorrisos em parcos, embora magníficos, momentos genuínos, apesar dos meus músculos faciais se apresentarem pouco acostumados a esse afortunado exercício. “Tento”, afirmo para mim própria, e aguardo que tal devaneio seja mais do que isso e se transmute num deleite efectivo. Afinal, se há algo que esta efémera caminhada mundana nos ensina, é que devemos avivar o espírito de forma a que este resplandeça em sítios onde a bruma adquire o seu cabalismo.

Pippa S.*

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Estava aqui a cogitar para com os meus botões que já era tempo de passar para o “papel” estes meus desabafos rotineiros sobre o estado político e sócio-económico português, imbuídos deste meu tónico fortemente ideológico que me caracteriza.

De facto, quem me conhece sabe que em relação a politiquices prefiro apenas falar quando sinto que há algo que me perturba tão completamente que não ficar calada torna-se um imperativo para mim. Sou uma pessoa de causas, certamente. Sou uma pessoa moderada, mas não-conformista. Assim fui educada, ou não faria jus aos meus intrépidos avós que sempre lutaram por uma sociedade melhor e mais justa para todos. E ultimamente, há, sem dúvida, algo que me transtorna transversalmente o meu âmago e me incita a estar aqui deambulando nos meus ideais mais profundos…

O estado do meu país! Fala-se da (falta de) legitimidade democrática para um Governo de esquerda. Para alguém com formação base em Direito como eu, isto não poderia fazer o menor sentido. Minha gente, leiam por favor! Leiam a Constituição do vosso país! Leiam a honrada letra que assegurou para todos o direito de ler o que bem desejam. Leiam a Lei das Leis da nossa nobre e jovem democracia. A Lei que assegura todos os vossos direitos mais básicos e toda a dignidade deste povo. Informem-se por favor! Pois o que é certo é que esta nossa Lei legitima plenamente um Governo de esquerda. Reparem… tratam-se de eleições legislativas, e não de eleições governativas. Nada impede de os partidos se unirem como bem configurarem para criar uma maioria estável de Governo. Pelo contrário, até se incentiva a que essa maioria se estabeleça!!

É verdade que pertenço ao quadro ideológico da esquerda moderada que defende a manutenção dos tratados e preconiza uma sociedade de mérito. Pois, na minha modesta opinião, há que premiar quem se distingue no seu trabalho ou corremos o risco de estagnar produtivamente. Todavia, tenho o maior apreço por todos os partidos mais à esquerda que lutam por uma sociedade mais equitativa e menos divergente. As suas convicções não me assustam, tendo em conta que as mesmas se baseiam na obtenção de um amanhã mais sorridente para todos e não só para aqueles que pertençam ao “1%”.

Tal como a base doutrinária do PSD não me atemoriza. Há que ter em mente que a social-democracia, tal como o Doutor Francisco Sá Carneiro fomentava, também é extremamente honrosa, visto que defende a redistribuição da riqueza, a justiça e o bem-estar social. Contudo, ao longo dos anos assistimos à passagem do PS mais para o centro devido às crispações internas, e do PSD mais para a direita. Um empurrão que deixou muitos desamparados na sua linha de pensamento, sem saber em qual partido afinal se reviam. Eu revejo-me, indubitavelmente, na linha mais à esquerda do PS. Esta linha existe, pois como em todos os grupos constituídos por seres humanos, é normal existirem desfasamentos de ideias. O importante é que a integridade dos valores primordiais seja mantida, e isso sinto que se suceda, pelo menos por ora.

Em suma, não tenham medo da mudança de paradigma que se avizinha. Tenham esperança! O caminho atinge-se caminhando. Vida longa à democracia!

Pippa*

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Lua soturna,

Sol de janeiro

Que ele escarna.

Fariseu inteiro.

Conjectura melindrosa,

Impura prontidão,

De estriga escabrosa,

Que emana escuridão.

Lua críptica

Repleta de bruma,

Mítica céltica,

Que alva se esfuma.

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Preciso desse amor beber.

Desse amor que trazes recôndito

P’ra que jamais vivalma o deixe florescer.

Careço esgarradamente desse amor maldito!

Rosas quebradas no meu âmago,

Tulipas cheias de nada que aconchego,

Desejo apenas a noite abençoada

Pelo sol que brilha em segredo.

Vem até mim alvorada perdida,

Vem até à tua dona insensata!

Que nesta noite desprendida,

A ti se sente ad aeternum grata.

Ouso desse insano amor tragar.

Atrevo-me cheia de intento.

Consente à rosa transmutar!

Que não seja derruída p’lo vento!

 

Typewriter-2

Há muito que ansiava por um espaço meu. Um lugar dedicado exclusivamente à escrita em português. Antes de mais, não me levem a mal dizer isto, adoro a nossa nobre língua, contudo, tenho de admitir que escrever em inglês tem sido libertador e tem, sem dúvida, ampliado as minhas capacidades literárias.Tudo por conta do meu antigo blog “Girly Dreams“. Todavia, sentia a necessidade de retornar às raízes, à minha língua mãe: o português. Precisava do meu canto. E aqui estou. Espero que este projecto seja frutífero e que vos consiga prender nesta viagem pelo meu universo literário, pelos meus sinceros pontos de vista, pela minha descrição da actualidade.

Philippa S.*  Copyright © All rights reserved

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