Sonhos de Liberdade

Copyright © All rights reserved

giphy

Não foi, de todo, intencional

Quedar-me nesse terno olhar.

Juro que não foi proposital !

Pois, quem haveria de cogitar

Que dois corações de cristal

Desabassem ali naquele cruzar

De contemplação impetuosa?

Afinal, quem haveria de ocasionar

Que de tamanho estilhaçar

Resultasse tal obra insidiosa?!

giphy (1)

Ponderemos nas dissimulações que usamos, nas máscaras e vestes que ostentamos, nos sorrisos inautênticos que delineamos, nos punhos que cerramos quando ninguém vê. Reflictamos sobre esta mestria do disfarce que todos já empregámos, sem excepção, pelo menos uma vez na nossa existência. Debrucemo-nos sobre esta circunstância transversal à nossa caminhada mundana…

Tiremos, por fim, aquele tapete impuro e sórdido debaixo dos nossos pés gentis e descambemos redondamente no chão! Tiremos a terna maquilhagem das nossas feições hipócritas.

O que perdura? Muito pouco do que achamos ser socialmente aceite de revelar, é certo.

Agora deixemos de parte as tendenciosas concepções moralistas! O que permanece?

Uma expressão humedecida com lágrimas?

A debilidade característica de quem nunca obteve a valorização merecida ou, pelo contrário, de quem desvalorizou sem o resguardo?

O exalar sonoro de descompressão que inunda a nossa alma de vivacidade?

A descompostura pelo espelhamento da realidade, pungente e cruel?

O grito de agonia da fuga dos nossos medos aprisionados no mais inacessível subconsciente?

O QUE SUBSISTE?!!

Pippa S*

giphy

“Apenas escreves sobre ti”, constatam determinadas vozes atentas. De facto, encontro-me no meu aprazível nicho quando os meus dedos decidem tomar uma alma contrastiva para aliviar aquela ferroada resultante de um qualquer impulso interior.

Este ímpeto deve-se, geralmente, a certa dor intrínseca que pousa em mim naquele particular dia. E depressa me entrego a um perscrutar incisivo de folhas de papel ou do teclado do meu computador.

Palavra a palavra, frase a frase, um fragmento da minha alma ali reside imortalizado. Constituindo um autêntico despeitorar do espírito.

Olvidem a psicanálise!  Confortem-se, antes, neste intemerato remédio!

Pippa S*

giphy

E o tempo insiste na tepidez, à semelhança das minhas deambulações platónicas. A natureza teima em espelhar a minha alma morna, fatigada com as flutuações sazonais típicas de um coração combalido. Nada a fazer!

Resta-me a agridoce cingência ao inevitável de que nem todos vivem para apreciar a naturalidade do amor. Nem todos morrem realizados com a sua plenitude sentimental. Tais variações matemáticas fazem parte da vida, pois nascemos num mundo de possibilidades infinitas.

Muitos me pintam como uma condessa vitoriana, vestida de renda e corpetes de cetim, proveniente de áureas terras, o que outrora até constituiu um axioma análogo. Todavia, esses dias pereceram, bem como a minha expressão fulgurosa de esperança que tanto pincelava afincadamente os meus olhos cor-de-cinza. Nada a fazer! A inconstância vital resume-se num autêntico paradoxo, tendo em conta a sua contínua subsistência.

Hoje desenho sorrisos em parcos, embora magníficos, momentos genuínos, apesar dos meus músculos faciais se apresentarem pouco acostumados a esse afortunado exercício. “Tento”, afirmo para mim própria, e aguardo que tal devaneio seja mais do que isso e se transmute num deleite efectivo. Afinal, se há algo que esta efémera caminhada mundana nos ensina, é que devemos avivar o espírito de forma a que este resplandeça em sítios onde a bruma adquire o seu cabalismo.

Pippa S.*

Moon-and-clouds-1080P-widescreen-wallpaper-1920x1080-0-50a16aa327a96-6593

Lua soturna,

Sol de janeiro

Que ele escarna.

Fariseu inteiro.

Conjectura melindrosa,

Impura prontidão,

De estriga escabrosa,

Que emana escuridão.

Lua críptica

Repleta de bruma,

Mítica céltica,

Que alva se esfuma.

p1000892 (1)

Preciso desse amor beber.

Desse amor que trazes recôndito

P’ra que jamais vivalma o deixe florescer.

Careço esgarradamente desse amor maldito!

Rosas quebradas no meu âmago,

Tulipas cheias de nada que aconchego,

Desejo apenas a noite abençoada

Pelo sol que brilha em segredo.

Vem até mim alvorada perdida,

Vem até à tua dona insensata!

Que nesta noite desprendida,

A ti se sente ad aeternum grata.

Ouso desse insano amor tragar.

Atrevo-me cheia de intento.

Consente à rosa transmutar!

Que não seja derruída p’lo vento!

 

Typewriter-2

Há muito que ansiava por um espaço meu. Um lugar dedicado exclusivamente à escrita em português. Antes de mais, não me levem a mal dizer isto, adoro a nossa nobre língua, contudo, tenho de admitir que escrever em inglês tem sido libertador e tem, sem dúvida, ampliado as minhas capacidades literárias.Tudo por conta do meu antigo blog “Girly Dreams“. Todavia, sentia a necessidade de retornar às raízes, à minha língua mãe: o português. Precisava do meu canto. E aqui estou. Espero que este projecto seja frutífero e que vos consiga prender nesta viagem pelo meu universo literário, pelos meus sinceros pontos de vista, pela minha descrição da actualidade.

Philippa S.*  Copyright © All rights reserved

Fonte da Imagem
%d bloggers like this: