Lobos Solitários

 

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Em petizes nos fazem crer

Que de outrem carecemos

Para lograr proveito e vencer.

Ora, tal não tem jeito!

Constitui preconceito,

Inibindo-nos de crescer.

 

A bem-aventurança jaz

Longe daqueles que cogitam

Que de outros precisam.

E nada lhes apraz

Enquanto ermos caminham.

As suas mentes enviesam,

Roubando-lhes a paz.

 

Tristes os lobos solitários,

Dizem almas inscientes.

Oh, como são capazes

De viver em derrelicção?

Dos seus estados precários

Se esquecem,

E os lobos convalescem

Na liberdade da solidão.

Leito da Amizade

 

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Bebo dos teus olhos verdes

Atentos, enchem-me o peito.

Naquelas insignes tardes,

Inda cogitas a meu respeito?

 

Torrentes de afeto e ternura

Adejam no leito da amizade.

O coração aguarda com doçura

Teu espírito são, de bondade.

 

Às vezes perco-me em ti,

Por reconhecer a tua intrepidez

Que celeremente reconheci

De outros tempos que vivi.

 

Quando te vejo,

Alentas-me a alma.

O teu abraço acalma,

Por instantes breves, o desejo.

Carta de Amor

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Sol da minha vida,
Sinfonia tocando em adágio,
Luar refletido no rio,
Apenas em ti ensejo guarida.

 

Teus olhos ternos e penetrantes,
Sinalizando vivências penosas,
Imploram-me beijos constantes,
Encher-te de carícias afetuosas.

 

Em nenhum outro momento,
Desta forma me senti.
Querendo dar todo o meu alento
A um amor que, de tão pleno, me perdi.
Perdi-me pelo teu cabelo ao vento,
Pelo teu maneirismo atento,
Por aquilo que ainda não vivi.

 

O teu toque é seda pura.
O teu carinho uma rosa aberta.
O estender dos meus braços perdura,
Pois o meu amor em ti se acerta
E em ti se encerra, todo imbuído de frescura.
É um amor sublime e apurado,
Sempre digno e nunca um enfado.
Amor soberbo e imortal,
Como aquele de idílica literatura.

 

Amo-te meu amor eterno,
Alma gémea e esvoaçante.
A ti te amarei em duro inverno.
Em mim encontrarás devota amante.

 

O meu coração é teu para guardar.
Dou-to em sinal de confiança,
Pois nunca pararei de te amar,
Somos uma carne, infindável aliança.

Ser Mulher

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Do teu regaço faz-se luz.
Doce rebento que brota puro,
Crescendo se torna cruz,
Mas nada lhe deduzirás de obscuro.

Pois amor de mulher é cabal.
Imutável, irrestrito e imortal.
Na alquimia do afeto é ouro.
Não há muro que lhe vede este tesouro
E abale seu sentimento abissal.

Sua condição é laboriosa,
Ainda que neste século nasça,
Resiste desigualdade impiedosa,
Pouco importa o que faça.

Perpetua-se ideal obsoleto,
Patriarcal, agravo autêntico.
Ao do dito varonil, seu oposto,
Impõe-se suor sem valor idêntico.

Todavia, mulher prima pela robustez.
É ser forte, de plena audácia e sensatez.
E nada a impedirá pela vida de lutar,
Enquanto existir mundo por aperfeiçoar.

 

 

Dois corações

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Oscilações viscerais,
Dois corações tais
Que batem iguais.

Na calçada o pintassilgo dança.
Daqui a pouco chora a criança,
E aqui arcamos a temperança.

Observas-me em jeito vivaz
Com os teus olhos de amêndoa sagaz,
Reluzindo, plenos de esperança.

E batem iguais
Dois corações tais,
Oscilações viscerais,
Aguardando a bonança.

Poema: Não foi intencional

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Não foi, de todo, intencional

Quedar-me nesse terno olhar.

Juro que não foi proposital !

Pois, quem haveria de cogitar

Que dois corações de cristal

Desabassem ali naquele cruzar

De contemplação impetuosa?

Afinal, quem haveria de ocasionar

Que de tamanho estilhaçar

Resultasse tal obra insidiosa?!

Poema: Lua de bruma

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Lua soturna,

Sol de janeiro

Que ele escarna.

Fariseu inteiro.

Conjectura melindrosa,

Impura prontidão,

De estriga escabrosa,

Que emana escuridão.

Lua críptica

Repleta de bruma,

Mítica céltica,

Que alva se esfuma.