Sonhos de Liberdade

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Há instantes em que as maiores trivialidades nos inspiram. O universo tem formas particulares de nos exortar a abrir os nossos horizontes visuais e mentais. Dias em que se funda um novo meio de alento para tudo o que criamos a partir então. Ontem teve lugar um desses momentos.

Eu preparava-me para terminar de jantar, todavia, como em abundantes noites de feriado costumamos receber alguns familiares para nos acompanhar e era frequente que os mesmos continuassem na conversa, permaneci mais um pouco para ouvir os tão comuns comentários jocosos sobre o estado das coisas. Sempre apreciei estas ocasiões de distração entre família. O que eu não desconfiava era da importância do que se ia narrar a seguir.

Não me perguntem como se preludiou o assunto, de fato, não me recordo. No entanto, o que jamais abandonará a minha memória foram as mélicas palavras que a minha mãe proferiu sobre o meu bisavô da Ucrânia, também designado simplesmente de avô…

… O teu avô, pertencente ao exército vermelho, um dia contou-me esta estória – afirmou a minha mãe no tom calmo de quem rememora dias ulteriores. Ele falou-me de numa jornada invernal antes de conhecer a tua avó. Havia fogo cruzado e ele encontrava-se numa trincheira na Polónia. Imprevistamente, o soar das armas cessou por completo. Muitos dos soldados saíram para tentar perceber o que se impunha. Tudo aparentava calmo. O teu avô preparava-se para se levantar da trincheira, contudo, algo lhe captou a atenção por breves segundos. Ele avistou uma belíssima e imponente flor no meio da neve. Ora, sendo um evento raríssimo no inverno, tal desviou o seu olhar para a contemplação dessa preciosidade. Ele decidiu acocorar-se para poder apanhá-la e nesse mesmo instante uma bomba explode perto do local onde estava. Todos os soldados que outrora se haviam levantado tinham morrido. E ele permanecera ali, imune a tudo. Não obstante, o mais impressionante foi o fato de ele se ter apercebido pouco depois que tal flor não existia. Tinha sido tudo fruto da sua imaginação…

Fiquei sem palavras. A magnificência do universo nunca findará de me surpreender. E então compreendi. Se o meu bisavô ali tivesse perecido, eu nunca viria a existir. Eu havia sido salva por uma flor imaginária. Uma flor de esperança. Uma flor divina. Uma improvável flor de inverno.

By Pippa* (Novo Acordo Ortográfico)
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